segunda-feira, setembro 11, 2006


Se qualquer cor pudesse lhe pintar
Lhe pintaria de azul, meu bem
Do frio das porcelanas
Das roxas framboesas embebedadas de sabor
Fundo triste de rio, azul esverdeado, turvo,
Feito o azul consentimento da sua boca,
Dentro do seu sorriso largo e bom
Eu lhe daria a cor do amor perfeito
Junto com o tom mais belo das orquídeas
Quando brotam azuis no seu quintal
E lhe enviaria sinais noturnos de lazuli em breves flashes
Eu lhe daria uma turmalina em sonho
Que não é meu sonho, porque não sonho mais
Lhe alegraria em puro ar, dos ventos
Arrebentando espaços, formando o firmamento
E me divertiria ao vê-lo, tão azulejado
Na cor mais soberana dos pavões
Ou das águas tintas de um mar
Que não conheço
Mas esse mar existe,
É parte do seu mundo, e não do meu
Que o azul roubado dos céus de algum lugar
Seja seu anil, meu bemDo fundo das frutinhas cor de aniz
Feito azuritas, as pedras de safira,
Que seu azul entende
Mas que só percebo, não compreendo bem
E eu, aqui, que não possuo cor
Nem coisa alguma almejarei um dia
Eu, que sou o negro fadado a confusão,
Ausência plena de luz, tão longe da sua graça
Em busca do socorro de suas tintas
Bebo do seu sopro, morno e azulado
E me declaro,
Sou seu azul também.

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Amei, amei, amei!